terça-feira, 7 de julho de 2009

Aprender a formar crianças leitoras e escritoras. Gloria Inostroza de Celis.

INTRODUÇÃO
Escrevemos brevemente sobre este livro de acordo com a proposta da roda de leitura, ou seja, despertar o interesse dos colegas pela leitura deste livro.

SOBRE A AUTORA
Gloria Inostroza de Celis já teve o cargo de Reitora da Faculdade de Educação na Universidade Católica de Temuco (no Chile). Realiza pesquisas sobre formação docente e didática da língua. Ela é coordenadora geral de oficinas educativas da Universidade Católica de Temuco e da rede para a Transformação da Formação Inicial em Língua Materna do Chile. Ela é integrante da equipe de Linguagem do Programa MECE Básica Rural. (Ministério da Educação do Chile).

CONTEXTO DA ESCRITA DESTE LIVRO e ESTRUTURA
O Livro Aprender a Formar Crianças Leitoras e Escritoras narra uma experiência de pesquisa-ação em um curso sobre o ensino de leitura e escrita na Universidade de Temuco no Chile. A experiência parte de uma posição construtivista e comunicativa. Em síntese o livro é composto por quinze oficinas distribuídas em três partes com os temas: Em que consiste ler e aprender (parte 1), Organizar a aula para ler e escrever (segunda parte) e Como praticar a metacognição (terceira parte). Ao final de cada parte há uma oficina intitulada “A título de Conclusão” a qual possibilita uma reflexão acerca de todo conteúdo que foi visto nas oficinas anteriores. Cada oficina é composta por um pequeno texto introdutório referente ao conteúdo que será abordado, uma ficha de trabalho da oficina, um documento de discussão, um documento de referencia (teoria) e síntese dos conceitos trabalhos na oficina. Em suma, são quinze oficinas planejadas para serem trabalhadas durante um semestre acadêmico, a autora recomenda pra quem utilizar esta experiência respeitar a ordem da mesmas, pois estas são seqüenciais. Essas oficinas procuram fomentar e potencializar o papel de professor-pesquisador capaz de aprender a refletir sobre sua própria prática e a contribuir com o grupo.

A QUEM DIRIGE ESTE LIVRO
Este livro é indicado especialmente aos educadores que pretendem formar seus alunos dentro de uma concepção construtivista, pois este pode ser usado como subsidio para trabalhar a leitura e escrita.

CONTEÚDOS EM CADA OFICINA RESUMIDAMENTE
Julgamos importante frisar os conteúdos trabalhados em cada oficina deste livro.
PRIMEIRA PARTE – Em que consiste aprender a ler e escrever?

Oficina 1- A mudança nas práticas pedagógicas.
Essa oficina permite a reflexão já que as atividades propostas visam compreender a prática pedagógica que cada professor adota, estimulando o docente a refletir sobre sua própria prática e favorecendo a abertura de aprendizagem a partir de novas formas de se pensar e agir responsavelmente em prol de uma relação significativa do aluno com o conhecimento: aprender a pensar com rigorosidade, a conhecer como se aprende, a ser flexível (crítico e autocrítico), a propor e resolver problemas, a assumir novos papéis, a comunicar-se e, a trabalhar em equipe (cooperativamente).

Oficina 2- Princípios básicos.
Como o próprio nome da oficina sugere serão abordadas questões conceituais tidas como fundamentais:
· Como as crianças aprendem a ler?
· Quando aprender a ler?
· Com que tipos de textos aprendem a ler?
· Quando iniciam o processo de escrita?
· Para quê lêem e escrevem?

Tarefa do educador: A compreensão da criança surge do que ela já conhece e identifica com a linguagem, essa é uma base necessária para construção do conhecimento. As atividades que a criança tem de desenvolver tem de ter sentido, relevância e propósito. Criar condições que favoreçam a auto aprendizagem da leitura e da produção de textos (p.37). Representar adequadamente os fins de leitura afim de que as crianças desenvolvam uma atitude de leitor e escritor. Ninguém aprende a ler porque sim! Assim essa oficina propõe a privilegiar o uso de textos autênticos, fazer as crianças interatuarem em múltiplos eventos, valorizar a experiência e a linguagem das crianças, aprender a ler e escrever, lendo e escrevendo num ambiente estimulante, ensinar dando lugar a múltiplas aprendizagens, usando recursos como a biblioteca de aula, sua comunidade etc., as crianças passarem a se auto-avaliar (perceberem se evoluíram em algum aspecto da leitura e escrita ou não).

Oficina 3- Ler: Conceitualização.
Mais alguns conceitos são abordados:
· O que é ler?
· O que se faz com a leitura?
· Como se lê?
· Por que é tão complexo o ato de ler?

O objetivo desta oficina é de entender os fatores que estão implicados no ato de ler e manejar estratégias que facilitem descobrir o sentido de um texto. A partir da leitura de um texto em francês. Essa estratégia é utilizada para fazer analogia a forma como as crianças aprendem a ler utilizando estratégias de leitura, pois da mesma forma que não sabem ler convencionalmente os professores não sabem ler em francês.

Oficina 4- Aprender a ler
O objetivo desta oficina é compreender como a criança se apropria das estratégias de leitura e as seleciona adequadamente, de acordo com o tipo de texto e o propósito de sua leitura, além de constatar que existem múltiplas maneiras de se ler um texto. O objetivo é valorizar atitudes como o leitor no ato da leitura, que estratégias utilizam para compreender seu significado.

Oficina 5- Escrever e produzir textos
O objetivo é diferenciar os atos de escrever e os de produzir textos. Em suma, o ato de escrever refere-se a escrita alfabética de um texto que geralmente é uma cópia. Em troca, o ato de produzir um texto é um processo complexo que inclui o planejamento, a elaboração textual e a revisão.
Ainda ressalta que somos responsáveis pelas conseqüências do que dizemos e do que não dizemos aos nossos alunos. Por isso estimular a criança a ter prazer em escrever e promover reflexão metacognitiva do que aprendeu e como aprendeu.

Oficina 6- A título de conclusão.
Em síntese desta primeira parte a reflexão leva a pensar em que crianças querem formar: que leiam e produzam textos de todo tipo; que construam suas aprendizagens de forma individual; que identifiquem-se positivamente, gerem e desenvolvam seus próprios projetos. O educador é responsável por criar condições que favoreçam auto-aprendizagem da leitura e da produção de texto das crianças.

SEGUNDA PARTE – Organizar a aula para ler e escrever.

Oficina 7- Como organizar a prática pedagógica e a sala de aula?
Organizar uma sala de aula textualizada (data, calendário, quadro de aniversários, rótulos de caixas com materiais de diversos tipos, quadro de responsabilidades, além de uma biblioteca na sala de aula (com histórias, poemas, jornais, dicionários, enciclopédias, manuais, catálogos etc., a elaboração de um jornal-mural (definidos pelo grupo, e cada um responsável por uma tarefa na sua elaboração e também valorizar sua criatividade), caixa com textos da vida cotidiana (rótulos, receitas, cartas, piadas etc.). Criar situações que permitam as crianças sentir o desejo de comunicarem-se por escrito, guardarem lembranças. Álbuns (caminhada de leitura – fotos de propagandas, placas de transito, letreiros/ oficio e profissões – permite a criança conversar sobre as ações que ali se realizam/ nossas raízes –revalorização da cultura). Fichário de palavras (jogos de classificação). Cartazes de metacognição agrupamento de todos os textos que as cçs sabem ler para construir um significado, aprender a produzir textos. Cartazes de sistematização do que foi aprendido.
Todas essas idéias buscam o propósito de valorizar a criatividade, sistematizar as aprendizagens, despertar o desejo de ler, vincular a criança com o mundo exterior, assim como estabelecer comprometimento com suas aprendizagens, facilitar o trabalho, apoiar a formação de hábitos, incentivar o valor estético. Essas atividades proporcionam ainda o reconhecimento pelo aluno de seu nome e dos colegas, valor sonoro e a ordem alfabética. Por este motivo julgamos relevante colocar todas as atividades que são propostas nesta oficina.

Oficina 8- Um projeto de realização.
Contém estratégias para planejar e executar um projeto de aula. Esta oficina ressalta a importância da elaboração de projeto com o auxilio dos alunos, pois este além de se fazer sujeito de sua formação (e não objeto), conseguem atribuir significado às atividades desempenhas. Propicia ainda trabalhar a disciplina em sala de aula sob uma nova perspectiva, alertando os professores que alunos sentados não são alunos disciplinados na concepção trabalhada, mas sim alunos que entram em conflitos e as soluções encontradas pelos menos com a mediação do professor.

Oficina 9- Elaboração de um projeto para aprender a ler.
Mais uma vez alerta para a leitura significativa para o aluno para que este note a importância de saber ler em sua vida. Para isso propõe projetos que tragam para a escola textos do cotidiano do aluno como receitas, regras de jogo etc, assim como visitas ao supermercado e outros locais da comunidade em que vivem.

Oficina 10- Elaboração de um projeto para aprender a produzir textos.
Nesta oficina o publico alvo são alunos que já sabem ler e escrever convencionalmente, mas alguns apresentam ainda erros ortográficos. O objetivo é um projeto trabalhando a escrita significativa e por este motivo propõe como produto final um livro para os alunos menores da escola e exposição aberta aos pais.

Oficina 11- A título de conclusão.
Os objetivos das oficinas que compõe este módulo são promover autonomia do aluno, sendo que o professor deve realizar intervenções a fim de que os alunos avancem em sua aprendizagem, promover participação da comunidade e da família na escola e fazer com que a avaliação seja também uma auto-avaliação dos professores e dos alunos no sentido de refletirem sobre seus trabalhos.

TERCEIRA PARTE – Como praticar a metacognição.

Oficina 12- Reflexão metacognitiva e metalinguística no nível macrotextual.
Alguns questionamentos são feitos como:
· A criança identifica diferentes tipos de textos? Sim? (bem? Regular? Não alcançado)
· Ela sabe pra que significa um determinado tipo de texto?
· Sabe onde encontrar um determinado tipo de texto?
· Identifica a superestrutura de diversos tipos de texto?
· Ela sabe identificar os parâmetros da situação comunicativa? (emissor, destinatário, conteúdo etc.)
· Identifica os sinônimos, os conectivos?
· Sabe utilizar o dicionário?

Oficina 13- Reflexão metacognitiva e metalinguística no nível microtextual.
Mais uma vez questões são levantadas na reflexão metacognitiva e metalinguística:
A criança sabe identificar as marcas textuais (gênero, numero,tempo e lugar, pessoa)?
Conhece as letras do alfabeto, as vogais, as consoantes?
Dá nome as letras de seu nome?
Completa uma palavra seguindo ou não um modelo?
Encontra semelhanças de palavras? E as diferenças?
Reconhece a semelhança de palavras no uso de sufixos e prefixos?
A criança consegue relacionar fonemas e grafemas?
O que se propõe a partir disso é contextualizar as aprendizagens, proporcionar situações e materiais facilitadores nesse trabalho e familiarizar a criança com determinadas características da linguagem escrita.

Oficina 14- Construção do sistema da escrita
Para a construção do sistema da escrita alguns pré-requisitos são necessários como o uso do lápis, tesoura, materiais pequenos (coordenação motora), escrever seu nome completo. Desta forma esta oficina pertende avaliar se a criança sabe usar o lápis, a tesoura, materiais pequenos. Se sabe escrever seu nome completo (com os tipos de letra script, cursiva ou maiúscula. Com ou sem modelo, ou seja precisa copiar de algum lugar?). Se a criança sabe escrever sobre uma linha, em linha reta, respeitando as margens. Se a criança copia palavras com modelo em letra script, cursiva ou maiúscula. Se a mesma reconhece seu nome (numa etiqueta, lista, entre outros nomes). Se a criança reconhece palavras conhecidas (dias da semana, meses do ano, nomes de bebidas, alimentos, objetos, títulos de histórias) e ainda se é capaz de reconhecer outras palavras (com ou sem auxilio de um modelo).
A autora julga ser “muito importante para o próprio professor e para as crianças irem observando seu manejo no progresso dessas competências”.
Assim como a importância de as crianças terem liberdade de escolha em relação ao que se vai escrever, bem como perguntar o que não se sabe.

Oficina 15- A título de conclusão.
Em síntese, propõe que cada criança tenha seu caderno de metacognição, no qual fique registrado o que foi aprendido, além de respeitar o tipo de aprendizagem de cada um, tanto individual quanto em pequenos grupos.


APRECIAÇÕES FINAIS DE CADA UMA
ANNA: O título deste livro me chamou bastante a atenção, e a cada virar de página ia me surpreendendo positivamente em relação de como o professor precisa refletir sobre o método que utiliza e as sugestões que ela menciona no livro são muito válidas. O livro possui uma linguagem simples e muito prazerosa, principalmente para quem nunca teve a experiência de trabalhar com crianças em processo de alfabetização. Eu recomendo até para os que já possuem alguma experiência, pois faz o leitor refletir bastante sobre o papel docente. Quem quiser emprestado o livro é só me pedir!
SIMONE: O que pude apreender com esta leitura foi como despertar o interesse na criança pela leitura e escrita, propiciando um ambiente letrado em sala de aula e trazendo elementos de seu cotidiano nas atividades desempenhadas. Para isso é importante planejar conjuntamente aos alunos e expor suas produções de alguma forma (produto final). Achei o conteúdo semelhante ao do curso Letra e Vida, pois são concebidos nos moldes construtivistas. Neste livro as oficinas propõe atividades a serem desenvolvidas com alunos desde o inicio de sua alfabetização. Diante de tudo o que já foi escrito pelo livro, indico esta leitura por ser muito prazerosa e por aprensentar com várias atividades passo-a-passo, o que julgo ser muito bom para professores – principalmente iniciantes – que muitas vezes ficam perdidos diante de como trabalhar com seus alunos.

Anna Leticia Amadeu RA: 070205
Simone Simoso de Moraes RA: 072384

2 comentários:

  1. ese texto nao é de criansas nao

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  2. AMEI!!!!!!!!!!!!!!
    Lendo tudo isso, percebi mais uma vez que a nossa prifissão é UM DOM DÍVINO!!!!

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